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Mãe vira cuidadora para entender o autismo do filho e, hoje, ajuda alunos em escolas

  • 9 de abr.
  • 4 min de leitura

História real neste Abril Azul mostra como escuta, paciência e informação ajudam a transformar a rotina de pessoas com autismo


“Quando eu entendi o autismo, tudo mudou dentro da minha casa.” A frase é de Luana Mayra Corretto Azevedo, de 32 anos, mãe e cuidadora, e resume uma transformação que começou no íntimo da família e, hoje, impacta também a vida de outros alunos dentro de uma escola no Interior de São Paulo. No mês de abril, marcado pela conscientização sobre o autismo, histórias como a dela ajudam a traduzir, na prática, como a inclusão começa em atitudes simples.


Mãe do pequeno Caetano Azevedo Guimarães, de 5 anos, diagnosticado com autismo nível 3 de suporte, Luana decidiu se aprofundar no tema para ajudar o filho e acabou encontrando um novo propósito profissional. Há dois anos, atua como cuidadora de adolescentes com deficiência na Escola Estadual Deputado José Costa, em Serrana, região de Ribeirão Preto.


“Convivendo com outras crianças, adolescentes com autismo e mães atípicas, eu fui enxergando formas diferentes e melhores de lidar com a condição. É uma sensação de que eu não estou mais sozinha. Essa troca de experiência é valiosa”, conta a cuidadora, que integra o quadro de profissionais da Conviva Serviços, instituição privada especializada no fornecimento de Profissionais de Apoio Escolar (PAE), mais conhecidos como cuidadores de alunos com deficiências, para escolas públicas em âmbito nacional.

No dia a dia, Luana percebeu que a inclusão não está apenas em grandes ações, mas em mudanças de postura, como respeitar o tempo da criança, observar sinais, ajustar a comunicação e acolher sem julgamentos.


“Às vezes, o que parece birra é só uma forma de expressar desconforto. Quando a gente entende isso, tudo muda”, pontua ela.

Compreensão que ela conta ter trazido impactos diretos dentro de casa. Um dos exemplos mais marcantes foi a evolução alimentar do filho.

“Ele não comia frutas por causa da textura, da casca. Aos poucos, fui conversando, brincando com isso, apresentando de forma leve. Hoje, ele aceita. É uma vitória de muitas que ainda virão”, relata a mãe.


E a estratégia nasceu de uma experiência vivida no trabalho por Luana que, recentemente, ajudou um aluno de 15 anos, com autismo e seletividade alimentar severa, a ampliar sua alimentação.

“Ele só comia bolacha de uma marca específica e cachorro-quente. Com muita paciência, fomos conversando até ele aceitar frutas. A família vibrou, claro. E aquilo me motivou a tentar em casa também.”



Além da alimentação, mudanças na forma de abordagem aprendidas por ela como cuidadora contribuíram para a redução das crises do pequeno Caetano.

“Quando você muda o jeito de falar, de agir, de acolher, a resposta vem. Hoje, temos dado passos importantes na evolução do Caetano. Meu sonho é que ele fale e, vendo meus alunos mais velhos, eu vejo que isso é possível.”


Ponte para a inclusão

Histórias como a de Luana refletem uma realidade cada vez mais presente em escolas brasileiras.

Dados do IBGE apontam que o Brasil já tem mais de 3,4 milhões de estudantes com deficiência matriculados na educação básica, número que vem crescendo ano após ano. Nos últimos cinco anos, as matrículas da educação especial cresceram cerca de 66%, evidenciando o fortalecimento das políticas de inclusão nas escolas brasileiras.

Hoje, a maioria desses estudantes já está integrada ao ensino regular, estudando nas mesmas salas que os demais colegas, um avanço importante na construção de uma educação mais inclusiva. E o que também torna cada vez mais essencial a presença do cuidador nas escolas.

Isso porque o PAE é responsável por auxiliar os estudantes com deficiência em atividades da rotina, como alimentação, locomoção e higiene.

Hoje, a Conviva Serviços atende mais de 10 mil estudantes em 2.221 escolas e 409 municípios no Estado de São Paulo, por meio de contratos com o Governo do Estado e prefeituras. E o perfil dos atendimentos é majoritariamente formado por alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) com níveis de suporte.

Para a diretora-presidente da Conviva, Maíra Pizzo, o papel dos cuidadores vai muito além do apoio prático previsto.

“O cuidador é essencial na construção da inclusão. Ele contribui para a autonomia, a comunicação e a socialização do aluno. E, muitas vezes, esse aprendizado ultrapassa a escola e transforma também a dinâmica familiar, como exemplifica o caso da Luana”, afirma. “Aliás, trata-se de um exemplo claro que mostra que a inclusão não acontece só por meio de políticas públicas, mas também por mais empatia, informação e atitudes cotidianas de todos nós”, complementa Maíra.

 

Sobre a Conviva

Com três décadas de atuação, a Conviva Serviços exerce importante papel para a educação inclusiva no Brasil. É considerada uma das principais entidades privadas a se especializar para atender aos alunos com deficiência na escola regular, através do cuidador, também chamado de Profissional de Apoio Escolar. A Conviva Serviços está presente em todo o território nacional com importantes atuações em São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo e outros estados. E, além do apoio escolar, oferece equipes multidisciplinares em seu quadro funcional.

 
 
 

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